BRASIL ESTADO
‹ Voltar

Irã realiza funeral de Khamenei quatro meses após morte

O Irã intensificou os preparativos para o enterro do líder supremo Ali Khamenei, marcado para o dia 9 em Teerã, mais de quatro meses após sua morte. A cerimônia contará com um amplo esquema de segurança, com mobilização da milícia Basij e da Guarda Revolucionária. Khamenei morreu em 28 de fevereiro durante a Operação Epic Fury, em um ataque direcionado.

Por Brasil Estado há 9 horas 6 min de leitura

O regime do Irã intensificou os preparativos para o enterro do líder supremo Ali Khamenei, marcado para o próximo dia 9, em Teerã, mais de quatro meses depois de sua morte. A cerimônia será acompanhada por um amplo esquema de segurança, com mobilização da milícia Basij e da Guarda Revolucionária.

O regime busca transformar o funeral em uma demonstração de unidade e força política diante da comunidade internacional. As informações são da emissora Fox News.

+ Leia mais notícias do Mundo em Oeste

Khamenei morreu em 28 de fevereiro, durante a Operação Epic Fury, em um ataque direcionado dos Estados Unidos contra seu complexo em Teerã. Líder da República Islâmica por 36 anos, ele teve o sepultamento adiado por um período incomum segundo a tradição islâmica, que normalmente prevê enterros rápidos e desencoraja o embalsamamento químico.

Mojtaba Khamenei, filho do defunto líder supremo, Ali Khamenei, eleito como seu sucessor | Foto: Tehran Times

De acordo com o especialista em contraterrorismo Omar Mohammed, a preservação do corpo ocorreu por meio de refrigeração, e não por embalsamamento. “O mecanismo quase certamente foi armazenamento refrigerado, não embalsamamento, já que o Islã proíbe o embalsamamento químico”, afirmou à Fox News.

Segundo Mohammed, “a lei xiita permite o adiamento do sepultamento e a preservação por refrigeração em casos excepcionais, e uma autorização clerical para um líder supremo é fácil de obter”, disse. Ele acrescentou que institutos médico-legais iranianos mantêm corpos armazenados durante meses, o que tornaria um intervalo de quatro meses compatível com os “padrões religiosos e legais”.

O especialista também levantou dúvidas sobre as condições do corpo de Khamenei. “Pode não haver muito corpo para ser apresentado. Khamenei morreu em um ataque com munição perfurante de bunker, e outras vítimas recuperadas semanas depois foram identificadas por DNA”, declarou.

Um manifestante segura um cartaz com uma imagem que retrata o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, e o líder nazista alemão Adolf Hitler, durante a "Marcha por um Irã Livre", organizada pelo Comitê Iraniano para a Liberdade e o Fim do Ódio, em Londres, Grã-Bretanha, em 18 de janeiro de 2026 | Foto: Toby Melville/Reuters

A programação oficial prevê velórios públicos em Teerã no sábado e no domingo. Na próxima segunda-feira, 6, haverá um cortejo na capital iraniana, para o qual autoridades estimam a presença de 15 a 20 milhões de pessoas. No dia seguinte, outra procissão ocorrerá em Qom, um dos principais centros religiosos do islamismo xiita.

O vice-presidente para assuntos culturais e educacionais da Fundação dos Mártires e um dos organizadores do funeral, Yaqoub Soleimani, afirmou que a cerimônia será realizada “com toda a grandiosidade”. Segundo ele, um público de um milhão de pessoas já seria suficiente para transformar o evento em “uma ocasião histórica” e “uma epopeia nacional na memória da República Islâmica do Irã”.

Mohammed, contudo, avalia que os números divulgados pelo regime têm forte componente político. “Os números que o regime está divulgando — até 20 milhões de enlutados em Teerã, 35 milhões em todo o país, representantes de mais de 90 países e 14 mil jornalistas credenciados — não são logística. Eles são a mensagem”, afirmou. “Teerã está gastando tudo o que tem para projetar continuidade e força porque, depois da guerra, ambas estão em questão.”

Manifestantes derrubam monumento a Khamenei | Foto: X/Reprodução

Segundo o portal Iran International, as autoridades iranianas montaram uma ampla operação de segurança para a cerimônia. Mohammed considera que o protagonismo da Basij e da Guarda Revolucionária é um dos aspectos centrais do evento. “A Basij coordena a logística — rodovias transformadas em estacionamentos, cada distrito de Teerã responsável por receber uma província, cinco feriados públicos decretados — enquanto a Guarda controla as multidões”, afirmou.

Na avaliação do pesquisador, algumas decisões adotadas pelas autoridades reforçam as dúvidas sobre o estado dos restos mortais de Khamenei. “Um regime que tem um corpo intacto não cancela a despedida, não muda repetidamente o local do enterro e não confirma que ele só poderá ser sepultado poucos dias antes da cerimônia”, disse. “Isso parece menos reverência e mais restos mortais que puderam ser preservados, mas não exibidos.”

O funeral também será utilizado pelo regime como manifestação política sob o slogan “Devemos Vingar”. Mohammed classificou a iniciativa como “uma mobilização disfarçada de funeral”.

Jovem incendeia retrato do Líder Supremo Ali Khamenei durante protestos contra o regime iraniano | Foto: Reprodução/X

“O mesmo aparato que organiza o luto nesta semana foi o responsável por reprimir os protestos de janeiro e negar funerais às famílias das pessoas que matou naquele período", destacou. "Os leitores norte-americanos deveriam considerar esses dois fatos simultaneamente.”

Funeral de Khamenei terá poucas autoridades internacionais

Embora autoridades de alto escalão do Iraque tenham confirmado presença, a participação das principais potências será limitada. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, convidou pessoalmente o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, mas Nova Délhi enviará apenas uma delegação de nível inferior. Também foi confirmada a presença do presidente da Geórgia, Mikheil Kavelashvili.

Para Mohammed, a lista de convidados evidencia o isolamento diplomático de Teerã. “Nenhuma grande potência está enviando seu principal líder”, observou. “Para um regime que afirma liderar uma frente que vai de Beirute a Sanaá, uma participação predominantemente regional no funeral de seu líder revela o isolamento por trás da pompa. Para Washington, isso mostra que a guerra deixou o eixo de Teerã menor e mais regional do que o regime anuncia.”

O post Irã faz funeral de Khamenei 4 meses depois da morte apareceu primeiro em Revista Oeste.

LEIA TAMBÉM

Juiz nega pedido de Derrite para remover post que o associou a Vorcaro

Juiz nega pedido de Derrite para remover post que o associou a Vorcaro

Clientes de bancos liquidados ainda não resgataram R$ 2,2 bilhões do FGC

Clientes de bancos liquidados ainda não resgataram R$ 2,2 bilhões do FGC

Brasil celebra um ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem

Brasil celebra um ano fora do Mapa da Fome, mas desafios persistem

Estado pede desculpas por perseguições a indígenas e metalúrgicos na ditadura

Estado pede desculpas por perseguições a indígenas e metalúrgicos na ditadura