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O Conselho de Supervisão da Volkswagen aprovou um plano para reduzir aproximadamente 50 mil postos de trabalho em todo o mundo. O corte atingirá também cargos de gestão e se somará a programas anteriores que já previam a eliminação de outros 50 mil empregos.

Caso as duas etapas sejam executadas integralmente, a redução acumulada chegará a cerca de 100 mil postos. Esse número corresponde a aproximadamente 15% dos 650 mil funcionários do grupo. A companhia ainda não informou quando a nova rodada será concluída nem como os cortes serão distribuídos entre países, fábricas e marcas.

Batizada de Plano do Futuro 2030, a reestruturação foi aprovada por unanimidade na última quinta-feira, 3. A Volkswagen a apresenta como o programa de transformação estratégica mais amplo de seus 89 anos.

A iniciativa reúne 12 medidas destinadas a diminuir custos, simplificar a administração e concentrar recursos no negócio automotivo. O grupo enfrenta perda de vendas na China, tarifas de importação nos Estados Unidos e capacidade industrial superior à demanda na Europa.

No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido da Volkswagen caiu 30%. A China, que durante anos foi uma das principais fontes de receitas da fabricante alemã, tornou-se um mercado mais competitivo com o avanço de montadoras locais, especialmente no segmento de carros elétricos.

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Volkswagen reduzirá número de modelos

A empresa pretende cortar aproximadamente metade de seu portfólio de veículos até 2035. A quantidade de versões e configurações oferecidas deverá cair 75%.

Com menos modelos, a Volkswagen planeja produzir um volume maior de cada veículo e diluir os custos de desenvolvimento, fabricação e fornecimento de peças. A meta é alcançar vendas anuais de 9 milhões de unidades e uma margem operacional de 9% até 2030. Se atingido, esse patamar corresponderá a um resultado operacional de cerca de € 30 bilhões (R$ 185 bilhões).

O plano também estabelece despesas de capital e pesquisa e desenvolvimento de € 135 bilhões (R$ 800 bilhões) entre 2027 e 2031. O valor representa o orçamento previsto para fábricas, equipamentos e desenvolvimento tecnológico durante cinco anos. Não se trata de um aporte único nem exclusivamente destinado a veículos elétricos.

A direção ainda deverá submeter os projetos específicos de investimento ao Conselho de Supervisão durante o processo regular de planejamento da companhia.

O grupo também pretende reduzir em cerca de um terço sua carteira de participações e negócios. Ativos sem contribuição estratégica ou financeira clara para a operação principal poderão ser vendidos ou reorganizados. O portfólio imobiliário será revisto.

Carros Volkswagen estão disponíveis em uma concessionária VW no distrito de Queens, Nova York - 21/9/2015 | Foto: Shannon Stapleton/Reuters

Quatro fábricas alemãs têm futuro indefinido

A Volkswagen calcula que sua capacidade de produção na Europa supera a demanda em mais de 500 mil veículos. A empresa deverá apresentar até o fim de junho de 2027 um novo planejamento para suas unidades no continente.

As fábricas de Emden, Zwickau, Hanover e Neckarsulm estão no centro da revisão. De acordo com o comunicado, a companhia não consegue assegurar, neste momento, a destinação de novos modelos para essas unidades entre 2031 e 2034. Alternativas de uso serão avaliadas.

O documento não determina o fechamento imediato das quatro fábricas. Ele sugere que a produção atual perderá espaço gradualmente e deixa em aberto o que acontecerá com as unidades depois disso.

Na América do Norte, a Volkswagen concentrará recursos nos segmentos considerados mais rentáveis. Na China, a empresa reviu as expectativas de crescimento e pretende ampliar a exportação de veículos fabricados no país para mercados do chamado Sul Global.

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Plano reduz postos, mas mantém negociação sindical

A aprovação ocorreu depois de semanas de divergências entre a direção, os representantes dos trabalhadores e o governo da Baixa Saxônia, acionista da Volkswagen. Os empregados ocupam metade das cadeiras do Conselho de Supervisão, enquanto o Estado alemão dispõe de dois assentos.

A empresa afirmou apenas que será necessário um “ajuste” de aproximadamente 50 mil posições. Ainda não detalhou quantos trabalhadores serão demitidos, quantos sairão por programas voluntários ou quantas vagas deixarão de ser preenchidas.

A presidente do Conselho Geral de Trabalhadores, Daniela Cavallo, chamou o plano de necessário, mas disse que as mudanças não podem ser realizadas exclusivamente às custas dos empregados.

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“Isso fornece a base para que a empresa continue impulsionando o sucesso com modelos atraentes e ajude a garantir um futuro para os funcionários em cada localidade”, afirmou Cavallo, no comunicado da montadora.

O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, disse que o grupo investirá uma soma de três dígitos de bilhões de euros para aumentar a competitividade das marcas. Depois do anúncio, as ações da companhia fecharam em alta de 7,9% na Bolsa de Frankfurt.

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