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Oposição critica Ortega após anúncio de fim das eleições na Nicarágua

O presidente Daniel Ortega anunciou que a Nicarágua não realizará mais eleições, afirmando que pretende impedir que a oposição chegue ao poder pelas urnas. A decisão provocou reações de opositores, organismos internacionais e governos estrangeiros.

A decisão do ditador Daniel Ortega de anunciar que a Nicarágua não realizará mais eleições provocou reações de opositores, organismos internacionais e governos estrangeiros. As manifestações ocorreram depois do discurso feito nesta segunda-feira, 20, no qual Ortega afirmou que pretende impedir que a oposição chegue ao poder pelas urnas.

Entre os opositores nicaraguenses, o economista Juan Sebastián Chamorro afirmou que o ditador pretende substituir o voto popular por um sistema semelhante ao de países como China, Coreia do Norte e Cuba, no qual disputas ocorrem apenas dentro do partido governista.

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O cientista político Félix Maradiaga, que já foi candidato à presidência contra o regime, declarou que o governo tenta eliminar as eleições, mas ainda depende de partidos aliados para manter uma aparência de legalidade. Segundo ele, Ortega tem medo "porque sabe que não é invencível", e o discurso busca esconder que o regime não conseguiu neutralizar a oposição nem conquistar apoio popular.

O coletivo Nicarágua Nunca Mais, sediado na Costa Rica, também criticou o anúncio. O coordenador da organização, Salvador Marenco, afirmou à CNN que "a Frente Sandinista se tornou praticamente um partido único, sem oposição real dentro da Nicarágua".

Segundo Marenco, o governo já fechou mais de 5,6 mil organizações civis, cancelou partidos políticos e encerrou atividades de veículos de comunicação. Para ele, as declarações de Ortega "não apenas terminam de sepultar uma possibilidade de eleições em 2027, são, além disso, uma reafirmação da impunidade".

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EUA condenam anúncio de ditador da Nicarágua

O governo dos Estados Unidos também reagiu. Em comunicado do Departamento de Estado, o secretário Marco Rubio afirmou que a declaração de Ortega "expõe sua verdadeira natureza autoritária" e acrescentou que o ditador "abandonou até mesmo a aparência de aprovação popular".

Rubio também conclamou a comunidade internacional a se unir para demonstrar que o regime "não pode esperar manter relações normais com outras nações enquanto viola os princípios básicos do hemisfério democrático".

O governo do Panamá também divulgou nota oficial em resposta às declarações de Ortega. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que rejeita a decisão de acabar com as eleições no país e declarou que "suprimir esse direito fundamental representa um forte agravo aos princípios, valores e direitos que sustentam nossas sociedades".

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Albert Ramdin, afirmou, em publicação na rede social X, que o regime nicaraguense tornou explícito o que suas ações já demonstravam. Segundo ele, o país "abandonou a democracia, inclusive a aparência dela" e a eliminação das eleições representa "a negação definitiva do direito soberano do povo de escolher seu governo".

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